26 de setembro de 2018

Pegadas na areia

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Deixe pegadas na areia, não para saber o caminho de volta, não para mostrar que já esteve ali, mas deixe para provar a si mesmo que depois de tantas tempestades é possível prosseguir. Um dia,eu sei, as águas hão de levar essas pegadas embora, então faça pegadas também no seu coração.

Um pé após o outro, deixe pegadas em outros países, em outras cidades, em outras pessoas, cultive abraços em todo terreno, fértil ou não, e se deixe florir por aí.

Pegadas na areia se perdem quando o vento sopra, mas as pegadas na alma continuam inertes à passagem do tempo e do espaço.

21 de setembro de 2018

Ser forte

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*relato sobre o setembro amarelo*
Eu tentava ser forte demais, como se o mundo não merecesse saber da minha dor, como se não fosse certo eu sentir e, quando sentindo, eu fosse fraca demais para continuar, e eu me guardei em mim. O primeiro machucado não deixou cicatriz, mas eu sentia a marca enraizada no meu peito, eu queria acabar com a dor, mas ela nunca ia embora.

O segundo machucado foi mais visível, ficou transparente na minha pele, um fio que ninguém notava ou ligava, mas que estava lá, a dor não passou, nem a sensação de que eu precisava vomitar todo esse sentimento ruim que habitava no meu corpo e que não parecia querer me deixar.

Hoje é o terceiro machucado, e eu estou longe, as pessoas falam de mim agora, tem fotos que eu não me lembro de ter tirado e palavras bonitas sobre mim que nunca me disseram, seus olhos borrados são tristes e talvez nem agora ele percebam que era esse o meu próprio olhar, eu acabei com a minha dor, foi a única vez em que eu consegui pensar em mim, as cicatrizes não existem mais, nada existe...

** O suicídio visa acabar com a própria dor, arrancar a tristeza do peito, e enquanto há milhares de pessoas a nossa volta gritando por socorro em silêncio a gente não vê. Então, por favor, olhe em volta, se coloque no lugar do outro e esteja disponível para ajudar, ouvir já conta e cada vida importa**

19 de setembro de 2018

Muros Caídos

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Apenas escombros na minha frente, apenas fragmentos espalhados pelo chão,onde foi que a gente se perdeu ? Onde foi que a gente esqueceu? Onde foi que a história mudou?

Eu tento a todo custo me lembrar e pensar no tempo em que eu estava aqui, no que eu deveria ter feito ou deixado de fazer para que hoje não houvessem apenas esses muros caídos e minha esperança no meio dessa lama, mas nesse mundo não há explicação suficiente para que eu compreenda sobre isso, sobre quem eu poderia ser.

Hoje os escombros são só respostas das escolhas que fizemos, dos estragos que deixamos acontecer e enquanto não soubermos administrar nossos jeitos, e aprender a refletir sobre esses momentos, os escombros,os muros serão apenas uma visita constante nas fotografias da nossa existência.
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