29 de junho de 2018

Andarilho

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Eu ando sem rumo no meio de uma multidão que não me enxerga, não sei nem se enxergam a si mesmas, mas eu ando por ela de cabeça baixa, observando cada olhar triste, cada riso disfarçado ao ler a mensagem no celular, cada mente que parece longe de onde deve estar, eu vejo corpos que se deslocam, mas há pessoas que parecem não viver...

Tenho que parar de ser tão observadora, eu sei, mas é algo que eu não controlo, como um jornalista que precisa de fatos, eu preciso de palavras e pessoas, preciso da observação constante em busca de uma inspiração, e acontece do nada, uma voz diferente, um rosto distante, mil histórias que a gente não consegue descobrir, mas que imaginamos sem ter um por quê, um coração partido, uma nova paixão, a perda de alguém importante, uma vontade de voltar para casa, pessoas completamente estranhas que, em silêncio, compartilham da mesma dor.

Eu catalogo mentalmente cada expressão, surge em mim uma infinidade de opções de escrita, eu não sei muito bem como colocá-las à sua frente, é difícil ser o intermediador entre a sua dor e a do próximo, não é confortável escrever sobre verdades que também são minhas e eu teimo em tentar esconder, me assusto com a incidência de fatos que nos interligam a 'n' coisas que nós não queremos expor, mas acabamos expondo com apenas um olhar, me solidarizo com isso, é por essa razão que escrevo, por entender...

Sou um andarilho das emoções, das mentes e histórias, quem dá a 'cara' a tapa para expressar o que as pessoas não tem coragem e que representa milhares de outros por aí, não quero honras ou glórias por isso, já é uma dor suficientemente grande ser o portador desse trabalho, mas não há escolha, eu preciso fazer isso, é a minha função, eu também represento a mim mesmo, uma folha perdida no meio do universo, e essas palavras, são o meu caminho para voltar para casa.

27 de junho de 2018

Perdi as palavras

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Perdi as palavras, ou será que foram elas que se perderam de mim?! Seja como for, as perdi, seus encaixes, antes tão perfeitos, agora não passam de rascunhos mal feitos em cadernos que eu não sei mais onde estão, letras garranchadas e ilegíveis que eu mal consigo decifrar, momentos de frenesi, loucura desenfreada, eu perdi minhas palavras.

Muitos dirão que é besteira minha, que eu escrevo e escrevo tantas vezes que é impossível não saber escrever, mas eu não sei, em algum ponto dessa minha existência eu deixei de me ligar a elas e perdi de vista quem eu era, aos poucos, parece que algo falta, mesmo que ninguém enxergue, mesmo que eu mesmo não saiba dizer o que é.

Perdi as palavras, essas companheiras de longa data de quem eu não consigo me desenvencilhar, meu ego é grande demais para ficar sem elas, sem o que elas me trazem, e mesmo sentindo que falta algo, mesmo sabendo que nada é mais como antes, eu necessito das palavras, mesmo que as tenha perdido, porque essas palavras preenchem meu ser como o ar que respiro, perdi, mas ganhei, e nem sempre poderão entender essa soma...

25 de junho de 2018

Copos quebrados

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Copos quebrados, pequenos pedaços pelo chão, mais um pedaço de vidro que se partiu, mais uma briga, mais um choro, mais um coração sem direção vagando pelas vielas da indiferença, eis aqui essa cena, devastadora, destrutível, construídas de histórias de pessoas diversas,copos quebrados, quebrados como mais um coração...

Pediria que recolhesse os cacos, mas sei que lhe machucaria mais uma vez sentir os fragmentos arranhando sua pele cansada das lutas e calejada dos variados machucados que contornam a ti, então, o que te peço é que descanse, que esqueça, eu mesmo tirarei isso do seu caminho, buscarei a pá...

Queria regar-lhe flores, mas esses cacos te impedem de me deixar entrar, tenho- as nas mãos, mas você não me permite atravessar seus copos quebrados, o que farei, então? Não quero ser um espectador da sua dor, quero ser quem, com todos os copos quebrados do mundo, consegue ainda ser seu abrigo, quero entrar...

Não vês? Todos nós carregamos essas mágoas e esses medos no peito, todos nós tentamos e fracassamos inúmeras vezes em busca do sucesso, todos nós acabamos no chão em algum momento, então porque se esconder? Por que achar que sua dor vale menos que a do outro? Não vês que no meio de todo esse caos ainda tem alguém capaz de te enxergar em sua pureza? Sem esses copos quebrados, sem esses pedaços partidos, somente a sua alma, sua doce alma na infinidade de coisas que ela representa, você.

22 de junho de 2018

Poeta

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Em meio a tantos caos e 'não's da vida, eis que surge o poeta, um pedaço de gente numa gente inteira e que não sabe ficar parado, sua mão deseja escrever, sua alma necessita de palavras, sua alma anseia pela completude das histórias e eu fico à espreita, um mero espectador de mim mesmo, sem saber o que virá a seguir, ansiosamente tentando não me frustrar com esses passos tortos de poeta, eu aguardo as luzes se apagarem para que o show comece.

É mais uma noite em claro, porque, claro, meu poeta descansa pelo longo dia e resolve despertar pela madrugada, já perdi incontáveis folhas e cadernos com rascunhos que poderiam vir a se tornar bons livros, ou péssimos também, quem poderá saber?! E em meio a tantas palavras e sentimentos, eu espero que esse pedaço de gente poeta se sacie e me deixe dormir, ele não deixa, ele consome cada minuto da aurora, e vai se acabar lá pelas 10 da manhã, não deixo que ninguém leia, que ninguém descubra as construções desse poeta, eu apenas observo o que ele faz, espero, e não tento mais compreender, agora ele descansa, espere, eis que novamente surge o poeta.

Esse poeta não acredita em milagres, eu acredito, acredito nesse milagre que é o poeta dentro de mim, pessoas tão divergentes e tão apegadas, um traço desenhado aleatoriamente na minha existência, sem títulos ou rótulos, apenas poeta pedaço de gente no meu pedaço de gente, meu poeta, se é que ele me pertence, sem saber, eu só seguirei...

20 de junho de 2018

Os sonhos tem sua voz

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Hoje eu sonhei contigo de novo, mais um dia de saudade, de sentir o peito transbordando ouvindo sua voz em mim, mais um dia de lágrimas, sim, infelizmente ser forte ainda não é uma das minhas habilidades, porque eu sinto falta de você, tanta falta que eu não sei como lidar.

Já são cinco anos, né?! Cinco longos anos onde eu me apego ao que ficou de você aqui, as fotos, o sorriso e o olhar brilhante no meu celular, me disseram que tudo que eu preciso ter de você está na minha mente e no meu coração, mas eu tenho medo, sabe?! Medo de te deixar se perder de mim, e isso é o que dói mais.

Meus sonhos tem sua voz, mesmo que você mal soubesse falar, mesmo sabendo que eu nunca tive tempo o bastante pra te ouvir chamar meu nome, ou entender quem eu era pra você, sinto sua falta querendo que o tempo congelasse antes de você sair daqui.

Eu sei, palavras infelizmente não podem te trazer de volta, são planos maiores que eu ainda não compreendo, e ainda aceito com uma dificuldade infinita, mas é por elas que eu me deixo exprimir tudo aquilo que meu coração insiste em guardar a sete chaves e não dizer.

Eu sinto sua falta, acho que todos nós sentimos, cada um a sua maneira, cada um com a sua dor, mas eu lhe escrevo nesse momento, porque sei que você está aqui, em algum lugar do meu lado, sorrindo pra mim com esse seu sorriso incompleto que me sorriu desde o primeiro dia em que te vi, e esses olhos brilhantes que iluminam meus caminhos, onde quer que eu vá...

PS: 5 anos em que eu aprendi uma frase muito valiosa do Rosas de Saron"Eu aprendi sem a gramática, que a saudade não tem tradução" 
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