O vento está forte lá fora, até agora ouço o barulho estridente dos galhos chocando-se contra a janela e isso me deixa apreensiva. Repasso mentalmente à s vezes em que você chegava do meu lado com aquele chocolate quente enquanto a lareira esquentava nossos pés calmamente, e seu sorriso que emanava nessa casa, agora tão vazia, e me fazia cair na gargalhada. Quantos passos em falso nós demos até percebermos que já tÃnhamos traçado um caminho sem volta? Quantas noites de choro foram precisas até que finalmente entendêssemos que nada é exatamente como um conto de fadas? E diremos que, basicamente, tudo aquilo que já montamos nesse tempo foi quebrando aos poucos, como os copos que eu sempre derrubava quando ia secar a louça. Eu sei que sou desastrada, mas a culpa desse fracasso não foi minha, pelo menos, não inteiramente. Não é possÃvel, neste mundo, que se ame por dois enquanto o outro coração está focado em um futuro em que não exista nós. Abrir mão de você foi uma das coisas mais difÃceis e necessárias que eu já tive que fazer, e, sinceramente, fico contente em não sofrer de arrependimento, somente a nostalgia que é minha fiel escudeira, mas não é nada a se preocupar, ela senta-se comigo para um chá e logo resolvemos nossas diferenças. E assim tem sido há dois outonos, simples estações do ano que logo trazem nas costas minha companheira, e não importa quanto você tenha dito que eu iria sentir sua falta nos dias frios, hoje, meu cobertor me esquenta mais do que as suas palavras e abraços, que tão de repente se tornaram tão frios e inseguros. Por isso, eu vou levando o tempo, estação por estação, até que tudo se normalize, afinal, eu posso estar comigo, mas é melhor do que estar contigo tendo a sensação de que não é suficiente.
E assim vivemos,vidas monótonas,bem dirigidas,completos adultos que não cresceram o suficiente.
Arriscar em algo incerto traz novas experiências,e se errar,aprendemos com o erro,é assim que funciona,e além do mais, ficar parado esperando as coisas caÃrem do céu já não deve ser parte do cotidiano.
Chico disse pouco,mas falou tudo,num mundo em que as pessoas fazem protesto hoje e se esquecem da causa amanhã traz medo,um medo ainda maior do que realmente mudar,é o medo de que continuemos a fechar os olhos a tudo aquilo que está errado e que morramos sem nem ao menos ter lutado,mesmo que fosse por nós mesmos.
Mas aà a gente se pergunta "Que raio de mudança eu posso fazer?Como perder esse medo de algo novo e desconhecido?Como ter certeza que é disso que eu preciso?"
A verdade é que talvez as respostas para essas perguntas não sejam simples,vai aà umas boas linhas para explicar,mas sendo o mais sucinta possÃvel,as respostas seriam Qualquer mudança que te faça aprender,seja ela boa ou ruim;Acreditar que muitas vezes é preciso perder o controle para achar a si mesmo; E finalmente saber que se isso te produziu fortes emoções é porque valeu a pena e se valeu a pena você fez a coisa certa.
Então mude,arrisque,persista,quem não arriscou nessa vida,não viveu plenamente :D
Sente-se,fique confortável,a história será longa,não tão longa assim,tenho mania de exagerar,bem seja,qualquer mania minha é excessiva,enfim,pegue uma xÃcara,beba o café ou o chá por hora,enquanto os pães de queijo assam ao forno,deixe eu lhe contar o que não entendo por cá.
Vivi muito tempo,não espere,não foi tanto assim,deixe-me recomeçar...
Vivi suficientemente para não entender a humanidade,eixos de ódio,violência,opressão e tudo isso do ser humano contra o próprio,vivemos na época do “veja,mas não fale”, “ouça,mas não se manifeste”, “viva,mas seja preso em tudo”.
Nunca entendi essa lógica,nunca quis entender,os homens não são ilhas,mas vivem como se no mundo só houvesse eles,ninguém mais ao redor,veja bem,não quero me expressar mal e acabar sendo deixado ao relento,mas é sempre isso que acontece não é?!
Falamos demais e somos punidos,falamos de menos e somos punidos,não entendo a humanidade,e talvez nunca chegue a entender...
O bom da vida é se fazer de cego em alguns momentos.
Mas em cegar tem seu preço, é não poder reclamar se não há atitude por sua parte,ainda assim acredito que fazer-se de cego é uma maneira de encarar o mundo.
Melhores dias virão,isso eu ouço desde a juventude,mas não se preocupe que um dia virão sim,mas antes é preciso mudar as pessoas,curar as maldades e amolecer os corações,antes é preciso entender que o mundo só vai para a frente quando se desconecta ao que o prende lá atrás...E esse talvez seja o maior mistério ainda não descoberto pela humanidade.
--Jennyfer A.


