Em minha gaveta se escondem os mais profundos segredos de uma alma um tanto quanto ensandecida e desigual, palavras caricaturais de uma mente espaçosa e inútil, fragmentos sem forma definida que flutuam na imensidão dos meus "eu" tentando se infiltrar nos espaços vazios de um trecho completamente egoÃsta de mim.
Em minha gaveta há um enorme monte de papéis preenchidos completamente a esmo, na intenção de que eu conseguisse me expressar e deixar fluir, dedicatórias sem nomes definidos, descrições exatas de pessoas que nem sequer saberiam ser descritas, e, em vão, leriam essas palavras sem nem serem atingidas.
Em minha gaveta estão as cartas que me arrependi de escrever, os versos que alguém não mereceu, as histórias de amor que tiveram seu final, os medos, angústias e devaneios de alguém que não sabe fazer nada além de rabiscos tortos que são preenchidos por tinta como se fossem veias sedentas de sangue e, quando escurece, não sabe como iluminar.
Em minha gaveta eu me vejo, me reflito, sou egoÃsta e antipático, me fecho e só converso com as palavras, pessoas, aos montes, não me convém, desisto de tentar entender o que tudo isso representa, são apenas pensamentos de uma mente espaçosa e inútil, numa alma um tanto quanto ensandecida e desigual, em minha gaveta há quem eu sou, sem tirar nem pôr, apenas meu EU.


