Não quero mais escrever,não quero mais me perder e sangrar só para poder receber um elogio qualquer e depois ser esquecido.Eu sou um poeta do caos,e talvez esse seja todo o meu problema,toda a minha provação,não consigo parar de escrever e manchar meus dedos com a tinta que escorre da caneta que eu fiz estourar,não consigo.
E eu não quero mais me derramar tão facilmente,me esvair em construções vãs que vão se perder na imensidão,mas sou poeta e é só isso que eu sei fazer,esse é todo o meu ser e meu carma é ser para todo sempre este poeta.
Eu não quero mais a efemeridade de escrever e daqui alguns anos sentir que não sei quem sou,o poeta que fui semana passada ou um mero sonhador? Não quero mais saber rimar se essa rima só for trazer dor,mas sou um poeta e isso diz muito,toda a minha fala tentarão transformar em poesia porque isso é deles,e eu vou chorar e sonhar,porque isso é meu.
Eu não quero mais escrever para ela,que nem me lembro mais quem é,não quero transformar seu nome em poesia,nem deixar mais o perfume na folha em que escrevi,mas eu sou um poeta,e terei tantas "ela" ao longo desta breve vida que não conseguirei parar de lhes dedicar poemas e textos infinitos de amor ou decepção.
Não quero mais escrever,não quero,mas já estou fazendo,porque deixar de escrever é como morrer aos poucos,primeiro a falta de ar,depois a perda dos sentidos e como o poeta não consegue morrer sem deixar para trás todo o seu epílogo eu não posso deixar de escrever,pois ainda não o tenho terminado e talvez nunca terei.Sou poeta e isso é tudo.













