• ❤ Categoria: sobre as quais escrever
  • 13 de julho de 2016

    Dois dias no passado

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    Esse texto faz parte do projeto 642 coisas sobre as quais escrever,cujo tema escolhido é 117-"Você tem uma máquina do tempo,mas ela volta apenas dois dias atrás.O que você mudaria?"

    Dois dias atrás era meu aniversário,e a proposta foi mudar,mas eu não queria mudar nada,apenas acrescentar.Talvez ser mais sincera em relação a tudo,esquecer um pouco das brigas do dia a dia e focar mais no presente.Eu traria para pertinho de mim aquelas pessoas que nunca poderiam se manter afastadas e teria feito uma festa mais íntima,mais simples,mais inesquecível.
    Dois dias atrás eu não tinha mais pretensões do que hoje,talvez eu ainda deva parar de me cobrar demais e aquela fosse a oportunidade perfeita para me lembrar que eu sou boa assim,do jeitinho que sou.Uma máquina do tempo é uma escolha difícil,se você vê coisas no futuro pode se magoar,se olha muito para o passado também,mas apenas dois dias no passado não é tanto tempo,contanto que não seja um ponto fixo você pode mexer,então,será que valeria mesmo a pena voltar,ou é melhor seguir em frente?
    Aprendi com um velho amigo que você pode mudar o curso das coisas se toma a decisão certa no momento certo,mas também pode arruinar algo bom por querer mexer naquilo que não deveria.
    Dois dias atrás eu tentaria aumentar mais minha esperança dos dias bons,e esquecer dos dias ruins que não vão mais voltar,sorriria por quem já se foi tendo a certeza que de estão bem e eu também preciso estar.
    Dois dias no passado,era só isso o que eu teria para mudar meu mundo,mas é loucura pensar que tudo isso mudaria coisas que eu nem saberia prever.
    Enquanto eu passo o tempo refletindo sobre isso,dois dias a mais se passaram e eu não voltei atrás,talvez porque sei que a vontade de mudar as coisas ia aumentar e,no final,eu ia acabar estragando tudo,mas também porque sei que qualquer mero detalhe poderia se perder e as peças desencaixariam.Dois dias no passado,era tudo que eu teria,mas seguir o restos dos dias no presente podendo eu,sozinha,mudar meu futuro foi mais válido,então eu continuei aqui,onde as estrelas são do meu tamanho...

    25 de maio de 2016

    O Lugar

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    Quando me perdi de mim,eu vi a luz na escuridão,pensei haver me acabado,quando,na verdade,eu só estava começando,e por mais que eu queira esquecer, eu sou o lugar em que ocorreu alguma coisa, o furacão que passou por aqui levou tudo,mas também me trouxe a lucidez.
    E hoje,eu preciso que saiba,o lugar que eu sou é mais do que um cantinho empoeirado no quarto,ou ao lado do sofá,eu penso,sinto e ainda me descubro,mas,tem certos desastres naturais que nos abalam por dentro e por fora,e daí não há nada que resolva a não ser se libertar.
    Nas ideias confusas,no meio de frases inacabadas eu me escondo e também me mostro,pois eu sou o lugar em que ocorreu alguma coisa, um lugar cheio de retalhos e pedaços espalhados esperando para serem reconstruídos.
    Mas não se engane,houve muito caos antes de encontrar a paz interior,meu eu,meu lugar ficou bagunçado por tanto tempo que eu tinha até me acostumado,só que como eu disse,parte disso também me trouxe a lucidez,então eu acordei.
    Tranquei portas e joguei várias chaves fora,liberei espaços,fiz pequenos reparos e me senti mais leve,porque esse lugar,que sou tão eu,precisava de obras imediatamente,então contratei meu cérebro,meu coração e minhas células para colocar tudo em ordem,admito que fizeram um bom trabalho,melhor até do que eu teria feito,e hoje,se me perguntar como estou, vou dizer que sigo em frente,porque precisei seguir para curar as feridas e me arrumar.
    E sei que pensa qual teria sido essa coisa tão importante que ocorreu para me fazer mudar tanto,mas era tão pequena,tão insignificante que nem lembro mais,só sei que foi aquela gota que fez o balde extravasar sabe?!E essa gota fez um maremoto em mim tão profundo que me lavou a alma e me fez enxergar melhor,como quando a gente lava as lentes dos óculos porque está tudo borrado,e eu virei o lugar em que ocorreu alguma coisa,essa coisa que mudou tudo,que me fez ser melhor.

    Texto baseado no Tema 173-Escreva a partir desta citação de Claude Lévi- Strauss "Eu sou o lugar em que ocorreu alguma coisa" do Projeto 642 coisas sobre as quais escrever

    22 de abril de 2016

    [642 coisas] Foi aí que ele deixou de acreditar...

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    Foi aí que ele deixou de acreditar na beleza das flores,nos sorrisos sinceros,nas estradas interligadas,deixou de entender as verdades,apontar as maldades,deixou de viver.
    Viu,sem realmente ter visto,sua alma escorrendo por entre seus dedos,deixou de acreditar em Natal,em Páscoa,em tudo aquilo que deveria ter acreditado.
    Uma pessoa amarga,era isso que ele ouvia de todos,sentiu que perdeu a si mesmo tentando se achar,porque não via nas horas um breve tilintar,mas um eco que nada preenchia.Ele não conseguia mais dormir direito,seu sorriso triste já não disfarçava nada,seu olhar,perdido ao relento,sufocava as pessoas.
    Foi aí que ele deixou de acreditar,quando não quis mais realizar seu sonhos,excluiu a playlist do celular e apagou as mensagens que um dia já recebeu.
    E sua existência era considerada por ele tão vazia,tão inconsistente,que ele não acreditava mais em nada,nem em si mesmo.
    Mas porque ele deixou de acreditar?Muitos perguntavam,parecia irreal alguém parar de acreditar na vida.Foi decepção,diziam alguns,falta de amor,diziam outros,mas a verdade mesmo é que ninguém poderia afirmar com certeza quais motivos afligiam seu coração.
    Foi aí que ele deixou de acreditar nos filmes de finais felizes,na chegada um novo dia pós-tempestade,deixou de abrir sorrisos,passou a fechar o coração.
    Seu reduto particular era o quarto,a cama quentinha ao anoitecer,os cobertores mais bagunçados que seus próprios pensamentos.Será que era só decepção?Ou sentir que nada era tão suficiente em si?!E ele não acreditava mais na alegria,no amor,não acreditava em nada ao seu redor,dentro ou fora dele.
    Foi aí que ele deixou de acreditar nas soluções,num dia após o outro,nas igualdades tanto justificadas,deixou de pensar nos caminhos,criou construções arredias,derrubou pontes.
    E quando ele pensava que já estava deixando de acreditar no mundo,viu uma luz brilhar,era olhar de alguém de fora,mas que o iluminou por dentro,e foi aí que ele passou a ver sorrisos verdadeiros no rosto,lágrimas alegres,pessoas reais.
    E depois dessa luz,ele mesmo passou a iluminar,e,juntos,nunca mais viram a escuridão.

    Esse texto faz parte do projeto 642 coisas sobre as quais escrever,o tema escolhido foi o 147-Inicie um texto com Foi aí que ele deixou de acreditar.Entre no link e aventure-se em diversos temas para dar aquele empurrãozinho na criatividade.

    9 de outubro de 2015

    [642 coisas] Qual é o som do silêncio?

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    "Seu som é estridente,só se revela aos poucos ouvidos dispostos a ouvi-lo ,ao resto são só os ecos de algo que ficou para trás."-Jennyfer A.
    Meus lábios não se mexem,mas milhares de palavras parecem sair deles, é como se eu pudesse sentir uma onda de perguntas e respostas invadindo o meu ser.Não sei bem o que é que ele diz,parece que só grita para se libertar.
    As janelas e as portas estão fechadas,a cortina pesada deixa todo lugar ainda mais escuro,ainda assim,não consigo dormir,quem diria que meus pensamentos me manteriam acordada por mais uma noite?!
    Meus sentimentos são como furacões, é tão mais fácil deixar as lágrimas escorrerem,mas ainda não sinto o alívio que preciso.
    Ouço uma coruja piar do outro lado dos fios no poste,conto pacientemente e percebo que a cada um minuto ela chora novamente,penso que ela pode ser triste,mas não é tão triste como eu.Pelo menos,sei que a manhã vai chegar e ela vai conseguir dormir,enquanto eu ainda estarei aqui,triste,inquieta,desligada do que há lá fora,mesmo ouvindo tudo.
    Meu silêncio sufoca,cria em mim inseguranças que eu pensava não existir, mas sei que ao final de algum tempo eu acabarei pegando no sono,mesmo que durma apenas por duas horas e esteja de pé assim que começar a clarear.
    Surge então o medo,das pessoas,de enfrentar um novo dia,de lembrar,de esquecer,o medo do quarto acabar me engolindo para um mundo diferente,o medo de nada mudar.Só o medo,na mais completa confusão de ser.
    Eu continuo sem falar,mas meu silêncio ecoa como infinitos barulhos,fico receosa de alguém da casa ao lado ouvir,quem sabe por quanto tempo esse silêncio continuará vagando sem obter a resposta aos seus problemas?!
    Mais uma noite passou e eu estou sozinha nesse quarto,tendo como companhia o silêncio e como ele grita.
    >> A GAROTA AO LADO
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